segunda-feira, 23 de junho de 2014

CERVEJA

Bebo cerveja. Tu atrais-me, excitas-me. Dona do café. Senhora da minha vida. Já me dirigiste a palavra em tempos. Não sabes quem sou. Sabes que venho para aqui ler e escrever. Não sabes que escrevo sobre ti. Até há um poema sobre ti no “Caos às Portas da Ilha”. És bonita. Provocante. Não conheces o meu mundo. A minha loucura. Nem sabes que estou a caminho da glória, do reconhecimento. Que apareço nos jornais, na rádio, na televisão de vez em quando. Venho cá por tua causa. Bebo. Celebro a vida. A exuberância da vida que está em ti. A humanidade que nos une. O homem louco às portas da liberdade. O filósofo. O profeta. Aquele que se dirigirá à multidão. Aquele que canta. Aquele que conta. Deveria ter dinheiro para mais cervejas. Para conversar contigo. Para te amar. Para subir ao palco. Sou o último dos poetas de café. O mais louco dos homens. Os olhos estão vermelhos. Não os posso cansar muito. Imagina o que seria se ficasse cego. Ficaria um completo inútil. Não te poderia ver. Até tens uma certa classe. Dar-te-ia os meus reinos. Agora não sei o que te dizer. Tenho andado de tasco em tasco aqui em Vilar do Pinheiro e assim sinto-me bem. A música é boa. Estás mesmo atrás de mim. Falta-me dirigir-te a palavra. Voltou a hora de oferecer poemas às meninas. Voltou a hora de reinar. Só me falta mais dinheiro para as cervejas.

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