domingo, 21 de janeiro de 2018

REGRESSO AO PIOLHO

Regresso ao Piolho. Há muito tempo que não escrevia no Piolho. De qualquer forma, continuo a sentir-me bem no Piolho. O Piolho continua a ser o meu café no Porto. Depois de quase uma semana de abstinência voltei a beber álcool. Pouquinho, para começar. Lembro-me do Carlos Pinto, do Joaquim Castro Caldas, do Rui Costa. Já partiram todos. Eu continuo aqui, apesar dos sustos. E o ano está a começar em grande. Apareço em todo o lado. Hoje tenho mais mais um concerto, no Rés-de-Rua. Dia 2 há o Hard Club. E como me afasto das imbecilidades, como me afasto do Big Brother. Definitivamente abandonei o rebanho. Definitivamente encontrei o caminho. Só preciso de uma mulher bela e inteligente. E da revolução, claro. De resto, sinto-me poderoso. I'm the Lizard King/ I Can Do Anything. No JN já me publicam textos proféticos. Uma mulher...uma fêmea. Quero-a. Não mais atrofiadas. Danço com Dionisos e as Bacantes. Não estou agarrado às horas. Sou um homem plenamente livre. Sou o poeta que foge da moda e da moeda. Sim, eu estou a triunfar. Os meus poemas circulam. Já sou reconhecido, quer queiram, quer não. Sei, no entanto, que, se aguentar, aparecerei muitas mais vezes. Porque eu tenho uma mensagem, porque eu tenho algo de novo a dizer. Os media procurar-me-ão mais e mais porque eu não sou como os outros. Porque eu sou um dos loucos divinos. Porque eu faço da vida um experimento permanente. Porque eu nasço hoje, porque eu nasço todos os dias. E não me contento com homens pequenos nem com meias-medidas.

domingo, 14 de janeiro de 2018

A REVOLUÇÃO E O APOCALIPSE

No café da Vera ouço a Vera e ouço os operários. Agora compreendo melhor os operários mas entendo que a classe operária é uma classe em decadência, já nada tem de revolucionário, como dizia Marcuse. Apenas luta por reivindicações salariais e sectoriais. Não se quer educar como no tempo de Marx, como no tempo de Lenine, como nos anos 60. Só podemos contar com alguns. De resto, os grandes revolucionários continuam a sair da burguesia e da pequena burguesia instruída. De resto, anda tudo enfeitiçado pelo deus-dinheiro e pela ilusão dos euromilhões. Claro que, por outro lado, não vale a pena um homem andar-se a matar. As loucuras do Trump, do Putin, do palhaço da Coreia do Norte, dos terroristas de Alá, da extrema-direita, as alterações climáticas, o Big Brother dos media, a loucura tecnológica, a corrida desenfreada pelo lugar, pelo emprego, pela carreira, a luta pela vida, tudo isso, mais tarde ou mais cedo, levará necessariamente ao caos, à revolução. Não tenho dúvidas. A revolução e o apocalipse estão próximos.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

DA GLÓRIA

Agora, sim, a glória. Até começo a fartar-me dela, de ver a minha cara em todo o lado. Até me começo a fartar de certas gajas bonitinhas. Ontem na Biblioteca de Vila do Conde, com o Valter Hugo Mãe, com o Aurelino, com o Francisco, soltei-me completamente, dei-me à assistência. Uma noite a valer por mil anos. Ir do céu ao inferno, do inferno ao céu numa só tarde, numa só noite como Rimbaud, como Baudelaire. A estrela, de novo, a estrela. Agora já não está tesa. Teresa. Barbas brancas à mesa. As Sereias. Sexo, noitadas e rock n' roll. A GLÓRIA, outra vez, a GLÓRIA. O poeta à solta.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

FÁTIMA LOPES, BRAGA E OS DOORS

Dia dos Doors. Agora até as telenovelas passam Doors. Sinais dos tempos. Tempos de apocalipse mas também de iluminação. De redenção dos pecados. De idas à missa. Em Braga, Sempre Braga. E eu a subir. A ganhar forças. A procurar as moças. A Fátima Lopes. Quero-a nua. Quero-a na cama. Agora é tudo meu. TUDO MEU. Sou um semi-deus. Rei destas terras. Farto-me de ouvir propaganda, macacos, macacas e imbecis. O ouvido até dói. Não tanto como no dia 1, claro. Anjo em chamas, como te chamas? Quero as boazonas da TV. Fora com o colesterol! Não quero ouvir falar do colesterol! Conversa de velhas. Não gozes, Pedro. Podes cair. Também tu. Tu bem sabes. Provaste desse veneno na passagem de ano. Jesus salvou-te. Contudo, não és bem como ele. És mais como o Jim, como o Mário de Sá-Carneiro. Tens a tua loucura. A tua divina loucura. Ai, coração! Agora falam em cardiologia. Bate, bate, coração. Não bebas whisky hoje, Pedro. Não bebas whisky. Apesar de ser dia dos Doors. Não bebas, Pedro. Bebe apenas cerveja. Pouca cerveja. Não abuses. Escuta o bom doutor. Ó Fátima, não me fales de doenças. Fatinha, não me ponhas doente. Eu amo-te. Eu perdoo-te. Eu não digo mais mal de ti. Eu dou-te filhos. Uma carrada de filhos. Eu não sou padre, eu sou de Zaratustra. Eu sou de Morrison, eu sou de Jesus.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PASSAGEM DE ANO EM BRAGA

Braga. Passagem de ano. Ouvia a tua voz, Goreti. O coração batia. Caminhava até à igreja de S. Vítor. Inferno. Parecia que ia morrer. Àgua. Bendita água. Salvaste-me. Agora eles divertem-se e eu escrevo num bar que encontrei perto da Sé. Uma gaja falou do Bloco. Falou sem parar. Ontem ouvi o Arnaldo de Matos. Ao menos é directo, apesar de tudo. De facto, vão rolar cabeças, quer se queira, quer não. Mas hoje é passagem de ano. Let the children play. Já cá estás há muitos anos. Burgueses filhos da puta. Marx, Lenine, Bakunine. Meteu-me nojo o imbecil de trás a rir do Arnaldo de Matos. Esses putos burgueses vão levar uma lição. A música a bater. Olá, Braga. Miúdas bonitas. Dinheiro no bolso. Senhor doutor, faça cara de mau. Observas o mundo, observas o que te rodeia como um velho leão. Mas não há dança. Não há Juno. Só música e miúdas bonitas. Mas a dança agora aquece. Personagens da noite. Finalmente. O poeta bebe, negro, maldito. Observa. Ao balcão o sexo convida. Hora de sair.

domingo, 31 de dezembro de 2017

SEIOS

Ouço o comboio ao longe. Um carro na rua. A mesa das festas. A amiga que acolhe. A miúda que me encanta, que me enlouquece. Os seios. Os grandes seios. O abraço. O sexo. O coração que bate. Tantas noites à procura. Crescei e multiplicai-vos. Fecundar a fêmea. Fundar a própria tribo. Estou às portas dos 50. As barbas estão brancas. A noite. O sonho. A ressaca.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

É UMA CHUVA TERRÍVEL AQUELA QUE VAI CAIR

Agora que, aparentemente, está afastada a hipótese de doença e a quadra natalícia vai chegar ao fim, posso pensar noutros voos: nos livros, na banda, na revolução. De facto, por estes dias tenho-me mantido em sossego, com incursões à revolta catalã. Uns são muito simpáticos comigo, outros parecem recear qualquer coisa. A hora está a chegar. E vai ser uma chuva terrível aquela que vai cair, como cantava Bob Dylan.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O POETA E JESUS

É, de novo, madrugada. O poeta arde. Não sabe se é Jesus ou se está em Jesus. Não sabe se o que está a viver é o princípio de uma alucinação ou se é algo mais, capaz de unir os povos da Terra. Tal como Jesus, o poeta quer derrubar os banqueiros e os mercados mas hesita quanto ao uso da violência. Vê as montras partidas em Paris, Roma, Atenas e acredita que a revolução passa por aí. Também Jesus apelou à espada. Também Jesus era provocador e insolente: "No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo", disse. Venceremos o mundo, derrubaremos o poder. Companheiros, companheiras. Aproxima-se a hora. Contudo, o poeta ainda tem dúvidas. Teme a barbárie pura. Deseja o amor entre os homens mas odeia os governantes, os mercadores, os banqueiros. Quer um mundo novo e um homem novo despidos da moeda e da mercearia.
É, de novo, madrugada. O poeta arde. Não sabe se é Jesus ou filho de Jesus. A mente e o coração expandem-se. O poeta sente que está a iniciar uma nova vida. Uma vida de entrega ao próximo e ao longínquo, sem caridadezinhas. 0 poeta sabe que, sendo naturalmente irresponsável, tem responsabilidades. Como Nietzsche, cria, dança em redor da sabedoria. As suas palavras vão chegar mais longe. Sabe-o. Os próximos dias poderão ser decisivos. O poeta chegou onde queria. Não haverá mais escritos menores, gratuitos. O poeta é de graça e é da Graça. Canta, ri. O mundo está a seus pés, tal como as mulheres mais belas. Se bem que seja necessária alguma prudência com as mulheres. Mas o poeta começa a conhecer as mulheres. Já não é o rapaz ingénuo dos 18 anos. As ideias vêm. O cérebro quase rebenta. O poeta quer construir um mundo novo. Acredita. É isso que o distingue dos outros. Hesita entre a paz e a espada. Sabe que a morte espreita. Contudo, vai continuar. É para isso que veio ao mundo. Vai ao fundo do ser. Vive. É. Está a chegar a hora, companheiros, companheiras. Chegou o tempo de cerrar fileiras. O poeta sabe que a manhã virá. E com ela a luz. Mas também a vida da rotina. Talvez ainda não amanhã, domingo. Mas segunda-feira. O poeta escreve e os homens dormem. Já não é Natal. O poeta nasceu outra vez. Vai pregar na praça. Vai sujeitar-se ao desprezo dos homens e das mulheres. Mas vai chegar a muita gente. Dentro e fora dos livros. O poeta é aquele que quer ser. Pensa na amada. Os galos cantam. Pedro não o nega. Está a escrever verdadeiramente como os mestres. É aqui que queria chegar. Ou melhor, esta é uma das etapas do processo. O poeta já quase não sente medo. Prossegue. Escreve madrugada fora. Está na casa da mãe e dos irmãos. Consulta o Evangelho de João. Vive. Chama o pai. Ele ouve-o. A voz do pai ecoa na sua mente. Está em paz. Há outra vida na mente. Uma vida sem economistas nem conta-corrente.

domingo, 10 de dezembro de 2017

WE WANT THE WORLD AND WE WANT IT NOW!

"Adoro mulheres. Penso que elas são o máximo. São uma bênção para os olhos, um bálsamo para a alma. Que pesadelo seria o mundo sem mulheres", já cantava o Lou Reed. As mulheres acalmam-me, dão-me amor, salvo algumas excepções. Há muitos anos que as canto, apesar de já ter sido acusado de ser sexista nos meus escritos. Sobretudo nos tempos do Púcaros. Bendito Púcaros. Bendita Gilda Manarte. Bendito Carlos. Grandes noites em que eles me vinham trazer a Vilar do Pinheiro. Agora estou a subir novamente. Sinto-me a subir. Como em 2006, como em 2010, como em 2012/2013. E desta vez também na terra do meu pai. Desculpem, senhoras de idade, a linguagem excessiva. Eu, às vezes, excedo-me. Sou como o Bukowsky, como o Henry Miller. Lembro-me da minha avó. Das minhas avós. Sempre me deram tudo. Menino de ouro, no que te tornaste? Num punk, num poeta maldito. Já não tenho cura. Os galos cantam lá fora. O Pip e a Chiara, os gatos, dormem lá fora. E eu, hoje, consoante o que se passar em Jerusalém ou Belém, vou tomar decisões políticas. Passamos demasiado tempo à espera com o ouvido colado ao chão. WE WANT THE WORLD AND WE WANT IT NOW!

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

PARA A ETERNIDADE

É impressionante. Há pessoas que têm uma mentalidade exclusivamente comercialista. É evidente que conheço comerciantes que são óptimas pessoas, de bom coração, generosas. Mas há realmente pessoas mesquinhas, más, sem salvação. Do muito que vivi até hoje em Braga, no Porto, na Trofa, em Vilar do Pinheiro, em Lisboa, na Póvoa, em Vila do Conde, etc das patadas que levei mas também das festas, dos abraços, dos amores, da Luz que vi condeno esses macacos, os grandes e os pequenos. No fundo, sou um gajo porreiro, um tipo sincero, mas aprendi a ser sacana, nem que seja 2000 anos depois. Por isso trago a paz mas também a espada. Já fui candidato a vários cargos. Só fui eleito no JUP e na Faculdade de Letras. De resto, ainda bem que não fui eleito. Seria como o Fidel, que admiro. Mas não sou comunista. Sou anarquista. Bakuninista. Quero demolir o Poder. Contudo, para tal, paradoxalmente, preciso de poder. E não chega o Poder da Palavra. Mas, hoje, 4 de dezembro de 2017, sinto poderes. Estranhos poderes. Um misto de amor e ódio, de céu e inferno. E ainda é cedo. Muito cedo. Estamos no princípio do mundo. No Princípio do Mundo. AH!AH! Danço contigo, Goreti, no Deslize, no Juno, no V5. Danço contigo, Zaratustra. E bebo. Porque não tenho travões, porque sou louco, o mais louco dos poetas. E danço. E canto. E sou alegre como tu, Nietzsche, como tu, Walt Whitman. E estou na estrada larga. E estou com os meus amigos e amigas. E celebro. E sou Dionisos com as bacantes. E ainda é cedo. Muito cedo. Tenho muito tempo. Eternidades. Pai. Mãe. Nasço hoje. Outra vez.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

DOS LIVROS E DA LEITURA

Nada substitui a leitura. A leitura de livros, sobretudo aqueles que nos empolgam, enriquece-nos imenso, agiliza-nos o raciocínio, torna-nos mais leves, liberta-nos. A leitura exige concentração e não nos aprisiona ao ecrã, não nos aliena como a televisão. Podemos parar, abrandar ou avançar o ritmo, é todo um mundo que se abre. Pobres daqueles que não lêem.

domingo, 5 de novembro de 2017

POETA INCENDIÁRIO

Poeta incendiário, é o que já me chamam. De facto, tanto no palco, como na escrita, tenho provocado ao máximo. Não sou, nunca fui, um versejador da corte. Canto. Grito. Recito. Escrevo com o meu próprio sangue. E isso incomoda os próprios budistas, os pacifistas, como a Flor. Não trouxe a paz, mas a espada. Poeta negro, vim combater os moedeiros e atormentar as vacas que pastam. Não, não me peçam rezas, orações, meditações. Eu celebro com vinho. Eu bebo do cálice. "Meditativos", não julgueis que eu não olho para dentro. Eu assisto à luta dos meus demónios com os meus fantasmas, eu vejo os meus anjos e serafins. Não atiro é o peso do mundo contra mim próprio. Não fui eu que criei o capitalismo. É a sociedade mercantil que devo combater, não eu próprio. Eu já me curei e já compreendi o homem.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

MORTE AOS POLÍCIAS!

Quero a noite. Não quero horas. Quero ir de bar em bar, de tasca em tasca. Como tu Jim, como tu Bukowski, como tu Dionisos. A vida é para ser plenamente vivida. Não pastada, não agrilhoada. Não quero morrer!, como declarei no "Ébrio 29", aos 20 anos, em Braga. Quero agarrar a Vida. Quero o experimento permanente. O grande banquete. Vivo, espalho as palavras. O sangue. O esperma. Todo eu sou foguetão, locomotiva. Perfuro a mente e a menina. Nascem sóis, luas. Sou Rimbaud, Baudelaire. Cocas mil. Morte aos padres!| Morte aos polícias! O divino marquês passeia-se na confeitaria.

domingo, 29 de outubro de 2017

COMO LUIZ PACHECO

Tenho as minhas afinidades com Luiz Pacheco. Sou um poeta maldito, tenho problemas com o álcool, já dormi em bancos de jardim. Sou mais burguês, é certo. No entanto, também conquistei a liberdade e abandonei os empregos certos. O padre Mário de Oliveira publica-me no "Fraternizar", publico livros, canto numa banda, recito poemas. Sou diferente desta gente que me rodeia. Não faço parte de rebanhos nem sirvo o capital. Acredito que a grande revolução está próxima. Até porque isto está a ficar em cacos mesmo que esta gente não dê por nada.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

OS ESCRAVOS MODERNOS

Os escravos modernos obedecem e não questionam, não querem saber. Até ficam felizes em agradar ao patrão. Tens razão, Isabel. Nem sequer querem pensar pois têm alguém que pensa por eles. Por conseguinte, não querem saber de filosofias, nem das coisas da alma, realmente essenciais. No fundo, vivem cheios de medo, raramente se soltam, executam trabalhos alienantes, estupidificantes, trabalham para o deus-dinheiro que os controla, a vida passa-lhes ao lado. São escravos a tempo inteiro, mesmo no lazer. Transformam-se em mercadorias, que se compram e se vendem no mercado. Andam em manadas. É a seu espírito obediente que permite que um punhado de imbecis controle o poder. São eles os culpados.